Além de Queda, Coice!




O que leva a digladiação entre iguais? Dotado de forte carga emocional a rivalidade é resultado da falta de cuidado consigo mesmo. Se um individuo esta dando toda a força que tem (dor\ alegria) para um trabalho, ou, uma luta e não pra si. E, se está vislumbrando um lugar social de grande valorização, é de se pensar que queira (precise) manter a luz desse lugar sobre os ombros. Quando assim não acontece alguém que se destaque "Surge como um intruso, como um mal a ser sanado" (Neuza Souza, psicanalista e escritora). Quando este afã de aniquilamento vem de pessoas que são suas referencias. Pessoas que você admira, e que, ainda esmeradas nutrem atitudes de apagar a sua importância, essa é ainda uma experiência mais dolorosa, é a ideia de extermínio de si mesmo.


O pensamento de anulação do outro é "parasitante", a violência é tão intrusiva que pode afetar o pensamento no que diz respeito ao prazer e a criatividade, então é um pensar (e um agir) que representa e repete a ideia “se eu não for, alguém como eu também não pode ir”. Se colocar no mundo pela via do prazer e do amor nos livra em parte desse resíduo de fel, mas, é bem subversivo num meio em que o discurso que tem força é o do combate.


No auge da distorção do que é ser “bem sucedido”, a busca particular pelo sucesso, uma jornada de natureza eminentemente subjetiva e intangível, evidencia as práticas mais cruéis de extirpação do ser humano que se destaca do grupo. É comum do trato social a perseguição dos indivíduos que se afastam da norma. O alijamento social, a inveja, a calúnia, e, a invisibilização de um “igual” que se põe em destaque são manifestações da baixa auto estima e da insegurança de um individuo que se constitui a partir do “ódio” e com ele é capaz de forjar (agora sim) seu protagonismo e sentir-se forte porque tem o “poder” de contaminar todo um coletivo. Sim, esta é uma sociedade adestrada para nutrir maior interesse pela decadência em detrimento do louvor.


Pessoas que forjam seu protagonismo munindo-se do ódio de um “igual” que alcançou algo que lhe era de interesse - o prestigio, o dinheiro, o reconhecimento - são dotadas de uma certa paralisia porque combater o outro é uma prisão que lhe empele tanto esforço que esvai o espaço\tempo e a capacidade dos mesmos de se auto qualificar. Ao passo que disseminamos esta cultura também nos aniquilamos. Combater aquilo que nos deveria ser espelho é uma forma de se auto penitenciar por não ter alcançado o próprio eu.


*Esta é uma preocupação que ha tempos tomava meus pensamentos. Recebi o apoio da psicologa  Lucinéia Nicolau Marques para entender melhor o assunto. Este é, portanto, um escrito a 4 mãos. Agradeço a ela pelo carinho e desbravamento das ideias!
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About Sueide Kintê

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2 comentários:

  1. "Ao passo que disseminamos esta cultura também nos aniquilamos. Combater aquilo que nos deveria ser espelho é uma forma de se auto penitenciar por não ter alcançado o próprio eu."

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  2. Parece nossas conversas no cinema ali da Castro Alves. Incrível como lendo, vou vendi Salvador se desenhando.Vou vendo rostos, nomes e contornos de corpo . Não sei como sanar essa paralisia doentia de deslegitimar o outro por tão pouco. O pior é que quanto mais os reverenciamos, mais destruidores eles se tornam.Quanto mais admiramos e damos visibilidade, mas protagonista da anulação do outro eles se tornam.Falar desta situação é repensar os nossos passos enquanto individuo.Sim, o fato de não saber quem se é ou o que se é e o move.Te torna predador do que você diz combater.Valeu, Sueide.

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