Vinil


Ontem ganhei 04 discos de vinil. Algo muito importante para mim, já que escondo nos discos a memória de minhas mais caras sensações. Foi ouvindo vinil que vivi as cenas mais instigantes de minha reles juventude. Guardo na imagem delas uma coleção de esquisitices como: gargalhadas estrambóticas, gentilezas, e o friozinho que dá na barriga naexpectativa do beijo no primeiro encontro. 

Olhar vinis me remete aos amigos e amores que coleciono. Rapta-me até o momento em que aquele moço com jeito de caçador me traçou feito caça sem anunciar o cerco. Daquela noite em que conversamos por horas sem ralar a mão ou tocar sequer um fio do cabelo. Recordo o lado B do disco quando me alisou o rosto e esquentou-me o pé esperando eu ofegar o bastante para acamar o coito. Coleciono a cadência da respiração destoando do ritmo, no pé do ouvido enquanto a língua molha as pernas e as coxas se enquadram. 

Ouvindo musicas no toca disco rio de mim mesma colecionando coisas que são como chaves da minha forma de existir para o mundo: cartas, asas de borboletas, água da chuva, fotografias da lua crescente, sementes de flores exóticas, anotações em papel de pão, expressões de transeuntes anônimos, e, finalmente discos. Coleciono os discos e o chiado que fazem enquanto a agulha arranha seu corpo negro em rodopio no toca-discos. Coleciono cada momento que vivi enquanto a música acontecia (tocava, soava) naquela engenhoca, intrigante e formidável- a radiola. 
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About Sueide Kintê

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