Simbolização do Ausente


Do que sabemos? Sabemos que morreremos. Sabemos que vivemos entre desconhecidos. Mas, como discernir se o anônimo que passa pelo caminho se tornará um grande aliado, amigo ou cúmplice no futuro? Não temos como saber a primeira vista. Mesmo intuindo o perigo que é se relacionar com as pessoas nós cultivamos amigos. Semeamos aqui e ali, e, ao passo que cavamos novas experiências nos confrontamos com os ensinamentos de auto-proteção e entrega que herdamos de nossos clãs: "Menina, olha o entre sai da casa dosoutros!" "Ai, ai, ai já lhe disse que esse negócio de ficar uma por dentro da outra não presta!" É inevitável não lembrar e rir ao mesmo tempo desses mandamentos de nossas mães.


Falando nisso recordo que é na família que experimentamos os mais profundos e duros aprendizados. Escutamos palavras difíceis, soletradas em nossos ouvidos para resolver os problemas e fazer fluir as coisas, mesmo que as vezes seja no tombo: Cal-maaaaa Fi-lhá! Nã-na-ni-nã-não! Não foi isso que lhe falei irmã! Nos dizem os mais íntimos. Semana passada, por exemplo, uma das minhas irmãs me levou a refletir sobre o assunto "ter amigos com iniciativa".Trocamos muitas mensagens, mas, foi essa foto nossa que me trouxe a luz do assunto. A imagem me lembrou que não sabemos da vida apenas que estamos vivos e morreremos, mas também, tudo aquilo que buscamos entender a fundo sobre ela. 

Vendo esta imagem lembrei que o apreço e interesse que temos pelas pessoas que o destino nos apresenta passa pela nossa capacidade de se relacionar com o que não está presente: a promessa de cumplicidade, a viagem que pode acontecer, o socorro que pode chegar, as coisas que podem ser descobertas em conjunto, os segredos que serão compartilhados. Por isso, ter amigos  é também essa possibilidade de simbolização do ausente. Do que não sabemos que irá acontecer. É essa divertida surpresa de se admirar ou se decepcionar com algo que ainda virá a ser. 

E, sendo a vida dessa maneira, não ha o que fazer meus amores, a não ser o bom uso da palavra futuro, pois ela é a garantia, ela é a nova chance de autocorrigir as próprias falhas e enganos. Sabendo entretanto, que na árvore que dá o fruto amizade tudo está em formação. Tudo está em processo.
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About Sueide Kintê

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