Vamos ter que desafinar o coro e desapontar meio mundo de gente.



Caso hoje, não fosse imperativo falar daqueles que vão ás ruas exigir da polícia que pare de matar as pessoas que deveria defender, eu falaria de amenidades. Falaria de Flores Raras, o filme que estreitou semana passada. Discorreria sobre a doçura de meu sobrinho de 5 anos, das crianças índigo e cristal, e, falaria inclusive, do tão esperado e emocionante show de meu amigo Jarbas Bittencourt que colocou meus olhos para sonhar esta noite. Mas, não! O tempo hoje não é de candura para quem por causa da cor da pele corre o risco de morrer ou enterrar um parente aniquilado pelo gatilho do estado.  

Ser jovem nesse tempo de agora é ajudar a segurar o fardo das conquistas que o país ainda não alcançou. É pagar a conta de uma dívida que não contraímos, mas, nos chegou de herança. Por isso, ir ás ruas é o mínimo que podemos fazer para não deixar dissolver tudo que já foi conquistado. Digo isso por mim e por outros parceiros/as da minha idade. Nós sabemos que tudo cairá por terra se nós não aguentarmos o peso der ser continuidade.

Não será como sujeitos assimilados que faremos justiça.  Não vai ser como funcionários de instancias criadas para nos comprimir que faremos ecoar nossa voz. Sim! Podemos ser mais. Para isso, vamos ter que desafinar o coro e desapontar meio mundo de gente. Teremos que fazer o  dever de casa.  Voltar ás comunidades. Encontrar nas escolas, nas ruas, nos bailes funks, e nas rodas de rap outras/os prodígios. Embora pareça um despropósito, hoje o tema de minha matéria é a morte. Um bom motivo para tomar as ruas.
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About Sueide Kintê

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