INSÔNIA



Acordei com um desespero no coração, ele bate rápido parece que vai sair pela boca. Vontade de tossir, de espirrar, de ir ao banheiro, muita vontade junta. Parece que o mundo está se abrindo dentro de mim. E, de repente, aparece aquela vontade de realizar muitas coisas junto com uma estranha certeza de que é possível materializar devaneios. Uma sensação de que o dinheiro está chegando: Tenho medo. Sei que será mais difícil se a grana aumentar. Eu peço para ter mais dinheiro ao mesmo tempo em que entendo: mais dinheiro pode significar mais inveja ao meu redor, mais responsabilidade de ajudar as pessoas, além da minha família, e ainda, menos tempo para meus anseios de realizar vaidades fantasiosas.

É isso! Saquei o motivo dessa taquicardia de madrugada: de repente minha alma se deu conta que a abertura das grandes portas se aproxima, dentro dela há luz, mas, eu não sei se estou preparada para lidar com a claridão. Temo ficar cega... Vinte e tantos anos na penumbra me deixaram acostumada a enxergar vultos. Por onde começo? Eu quero abri-la, não só pra mim. Quero um saco de areia calçando a porta para ela não se fechar comigo dentro. Quero encarar novos ares, e não me trancar numa prisão. Se esta fresta se abre, outros além de mim, passaram por ela. É assim eu sei. Isto foge ao meu livre arbítrio. No fundo eu até gosto, mas, me desespera saber que não tenho o controle. Definitivamente não vim ao mundo para ser sozinha.

A boia da descarga do meu sanitário está quebrada. O barulho dela enchendo sem parar me incomoda. Estou sentada em cima da cama, preocupada em escrever e pôr para fora essa angustia, mas, a bendita descarga não para de me roubar atenção. O pior é que com o silêncio do meio da noite qualquer tilintar vira barulho. Á agua espirra para dentro do vaso xuaaaaaaa, xuaaaaaaaaa, e faz sem parar. Não quero levantar para desliga-la, pois, tenho medo de perder o fio da meada deste texto. Poucas vezes escrevo, apesar da minha profissão de jornalista. No entanto, costumo valorizar esses rompantes que raramente me acometem.

Em momentos como estes de agora finjo contar algo para alguém, mas, na verdade somente psicografo palavras soltas encenando ser um lapso de criação. Coisas dos “loucos” ou das celebres mentes de “artistas”. Qual nada. Isso aqui é só mais uma página maquiada do meu diário de “pós-adolescente”.  Ninguém precisa de insight para escrever uma coisa besta desta. Este é apenas meu longo minuto de simulacro onde ensaio ter talento para escrita, ou coisa que o valha. Tenho consciência de que estas palavras saem como um “vômito” – involuntariamente. Estou apenas colocando a ansiedade para fora.

Este escrito no meio da madrugada é pílula para não surtar. Eu bem sei que não posso usar entorpecentes. Já pensou? Se sozinha sou capaz de me estimular a esse ponto. Imagina com ajuda de alopatias coloridas como figurinhas? Que figura sou eu, aqui em minhas viagens narrando sensações desconexas. Chega! Vou levantar para desligar essa descarga. Esse xuaaaaaaaa está me deixando nervosa.

Depois quero fumar. Fumar pacáia no cachimbo. Isso me acalma os ânimos “um pito, por favor!” preciso mandar a fumaças e contradições para o alto. Para o alto incenso. Solto fumaça sem tragar, e junto se esvai medos, anseios e devaneios. Escrevo-os num papel e depois os queimo. Assim não me consomem o dia, o coração e o estomago. Com licença, tenho que mexer nessa descarga. Iria desliga-la há cinco minutos atrás, mas me empolguei com este parágrafo.

Voltei, agora escuto somente o latido dos cachorros sonâmbulos da rua. A arritmia cardíaca diminui descompassadamente e com ela, meu texto. E para finalizar o desabafo eu lembro que às vezes tenho memória de coisas que ainda não vivi e com essa mesma nostalgia inexplicável é que vejo meu futuro- o pano de fundo das minhas sensações atuais do mundo. Sei que minhas pegadas nesta terra ainda poderão dar em muita coisa. Aí constato: Não sou capaz de receber tudo que peço. Ó céus, esta é minha estranha vida.
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About Sueide Kintê

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